Leiloeiro voluntário fala da necessidade de unir os “dois brasis” que existem no país
"Me sinto extremamente honrado de estar aqui recebendo esta homenagem, sabedor que ela é fruto de um trabalho maior que aquele que faço. Um trabalho que se inicia com anônimos, pessoas que fazem o serviço de peso no dia-a-dia, cada um na sua função, cada um na sua obrigação diária e realizam um trabalho como este.
Digo isto porque, esses dias estava ouvindo uma gravação do poeta e escritor Ariano Suassuna e ele falava de outro escritor não menos famoso que usou uma frase: “Nós temos dois brasis e não um Brasil”.
Um Brasil oficial e um Brasil real e eu pensei muito sobre isso e entendo que o Brasil oficial é o que nós vemos que tem resultados, apesar das dificuldades que vivemos nos dias atuais, tem um nível de cultura bom, educação razoável, saúde – aquela paga e tem a mínima segurança para alguns que vivem em condomínios.
Esse Brasil oficial é o que tem tudo. Mas nós temos outro Brasil, que é maior que esse primeiro, o Brasil do dia-a-dia, o Brasil real. Ao longo da vida e aí eu faço um parêntese, estão aqui minha irmã, meu irmão, minha cunhada, minha esposa, filho, netos, minha sogra, cunhados e minha mãe é testemunha disso: tudo que você semeia nesta terra, você acaba colhendo.
Aprendi com meus pais que isso é verdadeiro e pude provar isso e, pensando nisso, na formação que veio da base por minha mãe, da minha base familiar, ao longo dos anos aquilo que o escritor famoso falava de dois brasis, eu pude aprender e vivenciar isso.
Faço parte de um Brasil oficial, tenho acesso às coisas boas que o Brasil pode oferecer, mas tem um Brasil que clama por nós.
É o Brasil Real que é maior em quantidade de pessoas muito maior do que o Brasil Oficial e a obrigação, na altura da minha idade, acho que nós temos obrigação de ligar os dois países, fazer uma ponte entre o país real que existe e o país que nós queremos e que poucos têm acesso.
Essa atitude que temos que criar, esta ponte que tem que ser feita. Uma boa parte dela é do Poder Público e sei que Ituverava tem um poder público que realmente cumpre com seus deveres, mas tem uma outra parte que é a do cidadão, de construir a ponte para que o menos gente tenha no Brasil real e mais gente passe para o Brasil oficial.
Esta ponte ela é estimulada e ela existe com pessoas, como os anônimos que fazem um trabalho destes. Como aqui na APAE e em outras instituições. É esse anônimo com esse trabalho consciente e muito das vezes não remunerados eles estimula pessoas a empregarem seu dom em prol das atividades que fazem. Foi ai que inseri meu talento de leiloeiro nesta engrenagem.
Esta ponte é construída e ela se alarga quanto mais as pessoas anônimas estarem fazendo o trabalho assistencial acontecer, são gestos como estes que preparam o terreno, é gesto de pessoas anônimas e também dos diretores, dirigentes, médicos, assistentes sociais, fonoaudiólogos, enfim todo este trabalho, isso estimulam outros a depositarem as suas ofertas dentro daquilo que produz.
Quando eu vendo um bezerro por mais caro que você possa imaginar dentro de um evento deste, aquele que está comprando, que está puxando gente desta ponte para o lado melhor do Brasil, esse sujeito tem plena confiança que aquele dinheiro, por mais exagerado que seja o preço que está pagando está indo para entidades que vão produzir e realizar eventos como a APAE realiza.
Existem pessoas de boa vontade, homens e mulheres de boa vontade que fazem este Brasil ser um Brasil oficial nestas pontes que são construídas pelos gestos de cada um de vocês que contaminam a outra parte da comunidade que traz a sua oferta, a sua compra e são estimulados por gestos de tanta grandeza.
Obrigado à minha família, mas obrigado em especial aos homens e as mulheres de boa vontade aqui em Ituverava e este sim faz parte do sucesso de toda entidade que nós temos em Ituverava.
Onde estiver a placa que será descerrada e a fita hoje desta ala do autista, com certeza, todos nós homens e mulheres de boa vontade estarão presentes naquela placa. Meu muito obrigado Ituverava, obrigado à APAE de Ituverava e à Loja Maçônica 16 de Julho pela oportunidade de poder participar de tão grandiosa obra aqui em Ituverava”, discursou Bonagamba antes de ser homenageado.
Fonte: Jornal O Progresso


